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Arquivo da tag: Gabriel Medina

Será que vai tão longe assim? Foto: ISA/Cory Scott

“Sua arte, acho eu, é da provocação, tanto quanto o surfe. Melhor dizendo, Hynd usa bastante o surfe como uma forma de provocação, vide o surfe sem quilhas e o fato de ter parado de beber – Na Australia, não beber é ofensa pessoal.
Diz que não assiste mais campeonatos, perdeu o interesse depois de 30 anos sem perder nada, mas abre uma exceção pra ver uma bateria por ano no Pro Junior.
Dois anos atras, fiz minha peregrinação até o pro junior, para minha unica bateria que assitiria no ano. Cheguei na praia, vi Jordy Smith surfar uma onda, virei e fui embora.
Eu tinha visto o futuro do surfe, não havia nada mais pra ver ali.
Nesse ano fiz a mesma coisa, queria saber quem era e como surfava o tal do Medina que todos falavam.
Fui até la para ver o fenomeno Medina. Cheguei na praia, ele remou na sua primeira onda, devia ser oitavas ou quartas de final, mal ficou em pé, caiu de cara na prancha.
Resolvi dar mais uma chance.
Medina surfou duas ondas, uma nota 10 e uma nota 9 e tal.
Ele arrasou completamente um surfista australiano muito competente, Dean Bowen.
Fui conversar com um amigo, juiz da ASP, e ele me disse que Medina vai mudar o jeito de julgar as ondas na ASP.
Em seguida, Derek perguntou como se comportava Medina em ondas boas. Respondi que ainda não sabia, mal tinha visto o garoto surfar ao vivo.
Se ele não souber fazer outra coisa alem de voar, sua carreira vai durar tanto quanto sua terceira contusão, profetizou com habitual insolência.
Esses garotos se machucam o tempo todo. Na primeira, passam batido, na segunda, ficam mais cautelosos, na terceira param de voar.
Vejam a falta que faz uma boa cerveja…”
Sábio Mr. Hynd. Grande Julio!

Gabriel Medina de novo foi o centro das atenções, desta vez no último dia do Rip Curl Pro Bells em Johanna. Enquanto aconteciam as baterias, Medina quebrou em umas esquerdas perto de onde os tops estavam.

Bem que o nome desta etapa podia mudar para Rip Curl Pro Winkipop. Fanning explicando porquê

Tudo de cansativo que rolou em Thirteenth Beach na repescagem foi recompensado pelo dia de ontem, ou hoje na Austrália, ou antes de ontem, juro que fico muito confuso com os fusos. O Rip Curl Pro foi levado para Winkipop, onde abriram boas ondas e tiveram excelentes baterias. Todas os confrontos do terceiro round, mais quatro das oitavas, entraram na água.

Para os brasileiros foi um grande dia. Adriano entrou duas vezes na água, uma vez contra Brett Simpson e outra contra Fred Patacchia. Nas duas caídas, ele foi muito superior aos seus adversários. Mineirinho certamente está de olho no título desta etapa, seu próximo adversário é parada dura, mas quero ver quem para ele. Jadson André fez muito bonito em uma bateria entre o mais velho e o mais novo do tour. Jadson surfou muito bem de backside contra o frontside preciso de Taylor Knox. BOOM! BOOM! BOOM! Quem assistiu o Surf Adventures 2 sabe do que eu estou falando.

Esta foto de Neco durante o Hang Loose Pro Santa Catarina no ano passado, define como foi sua disputa contra Joel Parkinson

Neco Padaratz é um dos melhores surfistas para se ver em um campeonato. Mandou patadas com muita raiva nas paredes lisinhas de Wink, reclamou com os juízes, ficou P da vida na sua disputa contra Joel Parkinson, mas infelizmente ainda não conseguiu entender como se adequar aos novos critérios de avaliação da ASP. Como disse Martin Potter na transmissão do campeonato pela internet, os juízes querem ver esse ano uma mistura de manobras da nova geração e da antiga. Se você ver o Heats On Demand da bateria de Neco, verá que o brasileiro surfou bem, mas sempre solta manobras muito parecidas, enquanto Joel deu batidas com pressão e junto com alguns aéreos.

Gabriel Medina deve estar muito feliz neste momento. Ele enfrentou seu ídolo Mick Fanning e recebeu uma aula de surf, não ganhou, mas tudo bem. Medina tirou boas notas, sem medo nenhum, mas o Fanning foi impressionante. É muito bonito ver Mick surfar, ele é muito rápido dentro d’água e nesta bateria mandou suas rasgadas características e algumas manobras acima do lip. Ontem ou hoje, enfim, Mick Fanning surfou como um campeão mundial.

Taj Burrow desde começou o seu treinamento com o Bra Boy, Johnny Gannon, está melhor do que nunca

O único que foi melhor que Mick foi Taj. Taj Burrow foi outro surfista que entrou no mar duas vezes, e nas duas vezes arrebentou. Contra Wilko, Burrow somou apenas 17.04 e depois contra Andy, ele somou só 17.77 pontos, a maior do evento até agora. A melhor onda do campeonato por enquanto foi de Jordy Smith, um 9.80, 0,43 décimos maior do que a melhor nota de Taj. Adriano de Souza é o adversário do aussie nas quartas. Nada a temer, Mineiro já fez a mala do dele na Gold Coast e certamente pode fazer de novo.

Kelly Slater se machucou no dia anterior, mas mesmo assim superou Dusty Payne

Agora, Fanning foi impressionante, Taj o melhor, mas quem roubou a cena no dia foi de novo Mr. Kelly Slater. Algumas baterias antes da do careca, a Australian Surfing Life divulgou em seu twitter que Kelly tinha fraturado o pé surfando no dia anterior, minutos depois a ASP também divulgou a notícia. A dúvida pairou no ar, Slater ia ou não entrar na água contra Dusty Payne. Kelly chegou em Winkipop poucos minutos antes de sua bateria, foi examinado pelo medico do evento, entrou no mar e venceu Dusty Payne que mandou a manobra do campeonato logo na primeira onda. Kelly Slater é um fanfarrão. Outro fanfarrão é Dane Reynolds que cansou da Austrália e estava a passeio em Winkipop.

Steph Gilmore está cada vez mais próxima do quarto título mundial

O mar estava temperamental como de costume na praia de Bells. Logo após a tricampeã mundial Steph Gilmore tocar o sino no feminino e ter disparado na liderança do ranking, foi a vez dos homens caírem no mar. Dez baterias da etapa masculina do Rip Curl Pro Bells Beach foram disputas e como disse Julio Adler em um dos seus tweets direto da praia dos sinos, “Certas coisas nunca mudam”.

Logo de cara Andy Irons, Dane Reynolds e Nate Yeomans. Todo mundo esperava que Dane naquele mar pequeno, gordo e mexido ia dar show com toda sua progressividade, mas Andy surpreendeu. O tricampeão mundial veio com tudo, superou os americanos com duas ondas bem surfadas, nada de novo, porém bem surfadas, somando 14.33 pontos e se mostrou feliz novamente em entrar na água com uma lycra de competição.

Mineirinho passou direto para a terceira fase

Depois de algumas baterias mornas, Kelly Slater acordou a galera que estava assistindo a transmissão do campeonato de madrugada aqui no Brasil e fez a melhor apresentação do dia até então. Infelizmente um dos adversários de Kelly foi o brasileiro Marco Polo, que surfou bem, melhor do que na Gold, mas não conseguiu de novo bater o careca. Na bateria seguinte Adriano de Souza não deixou nada passar e surfou muito contra Kekoa Bacalso e o rookie Blake Thorton. Mineiro estava frenético, ele pegava uma onda e quando mal chegava de volta ao outside já entrava em outra, em uma delas o brasileiro mandou um bom aéreo e arrancou um belo 7.07 dos juízes.

Taj e Mick fizeram a lição de casa e na penúltima bateria do dia Gabriel Medina entrou em ação. O moleque de Maresias caiu contra dois aussies de peso, Joel Parkinson e Chris Davidson, e mostrou muita personalidade. Medina surfou tranquilo, na primeira onda quase completou um baita aéreo, mas terminou em segundo na bateria perdendo para o atual campeão em Bells. Diga-se de passagem, Parko teve um pouco de sorte com as suas ondas que abriram até as pedras e deixaram o caminho para a terceira fase mais fácil.

Parko contou com a sorte na nona bateria do dia

RIP CURL PRO BELLS BEACH ROUND 1 RESULTS:
Heat 1:
Andy Irons (HAW) 14.33, Dane Reynolds (USA) 8.56, Nate Yeomans (USA) 8.40
Heat 2: Luke Stedman (AUS) 12.66, Matt Wilkinson (AUS) 9.77, Damien Hobgood (USA) 7.84
Heat 3: Jeremy Flores (FRA) 10.50, Bobby Martinez (USA) 10.43, Tanner Gudauskas (USA) 7.73
Heat 4: Tiago Pires (PRT) 11.60, Travis Logie (ZAF) 5.73, C.J. Hobgood (USA) 4.83
Heat 5: Kelly Slater (USA) 14.00, Marco Polo (BRA) 8.16, Mick Campbell (AUS) 7.84
Heat 6: Adriano de Souza (BRA) 15.07, Blake Thornton (AUS) 11.56, Kekoa Bacalso (HAW) 10.77
Heat 7: Taj Burrow (AUS) 14.26, Daniel Ross (AUS) 13.27, Neco Padaratz (BRA) 9.13
Heat 8: Mick Fanning (AUS) 13.73, Kai Otton (AUS) 11.23, Stuart Kennedy (AUS) 12.00
Heat 9: Joel Parkinson (AUS) 16.00, Gabriel Medina (BRA) 10.33, Chris Davidson (AUS) 8.83

REMAINING RIP CURL PRO BELLS BEACH ROUND 1 MATCH-UPS:
Heat 11:
Jordy Smith (ZAF), Patrick Gudauskas (USA), Jay Thompson (AUS)
Heat 12: Taylor Knox (USA), Michel Bourez (PYF), Adam Melling (AUS)
Heat 13: Tom Whitaker (AUS), Jadson Andre (BRA), Brett Simpson (AUS)
Heat 14: Kieren Perrow (AUS), Ben Dunn (AUS), Dusty Payne (HAW)
Heat 15: Fredrick Patacchia (HAW), Owen Wright (AUS), Drew Courtney (AUS)
Heat 16: Dean Morrison (AUS), Luke Munro (AUS), Roy Powers (HAW)

Ano passado, Owen Wright venceu Kelly Slater duas vezes como convidado em etapas do World Tour. Agora é a vez de Gabriel Medina mostrar a que veio, o prodígio de Maresias vai disputar o Rip Curl Pro Bells Beach, uma das mais clássicas paradas do tour, como convidado do patrocinador.

Com apenas 16 anos nas costas, Medina já venceu diversos campeonatos de peso pelo mundo como o King of the Groms que rolou na França, a etapa do WQS 6 estrelas na Praia Mole em cima de Neco Padaratz, o título sub-18 no Mundial Junior na Nova Zelandia, além de ter dado muito trabalho para os gringos no Billabong World Pro Junior.

Não são só os brasileiros que estão empolgados com a presença de Medina em Bells, The kid is an excitement machine and many are claiming his aerial-friendly free-surfing approach to competition heats will change professional surfing forever. He’s got a big task ahead of him if he wants to ring the Bell in 2010, but we’re sure he’s going to amaze every single person on the beach or watching the webcast this Easter.

Os top 45 que se cuidem, Gabriel tem arsenal para bater de frente com Jordy e Dane nos aéreos, Fanning e Knox nas batidas, além de conseguir arrancar somatórias de 20 pontos, ou quase isso, como se fosse muito fácil do juízes.

Within 10 minutes he’d shut the door on Bowen so hard you could hear the slam, with consecutive double-air waves that racked up a 10 and a 9.57 – waves ridden with such utter fluidity and precision that anyone in the top 45 who happened to be watching the webcast must have seen their own demise in the making.

I’m not kidding. Medina was that good.” – Nick Carrol

“What’s Brazilian for “Holy Shit”?

We don’t know the answer to this question. We shoulda asked Gabriel Medina, but Gabriel doesn’t speak English.

Instead, he speaks the universal language of Crazy Goddam Surfing. And today, in one of the longest days ever in junior professional surfing history, Gabriel turned himself into arguably the most successful junior surfer since the whole concept of junior-ness started 33 years ago.” –
Surfing Life

“Medina takes off again, kicks the fins out over a section, straight into a pump/top turn combo, another pump and a double grab. Ten.

“At this point, he’s a phenomenon,” ’88 champ turned surf coach, Barton Lynch says to me. “And it wasn’t just a gymnastics vault where he did one move, it was a combination of everything. It was surfing, with aerials.”” – Jed Smith

Depois do termino do Billabong World Junior Championship todo site de surf de qualquer parte do mundo só fala de uma coisa, os brasileiros.

Na última semana, liderados por Jadson André que este ano faz parte do World Tour, os nossos jovens talentos roubaram a cena do Mundial Pro Junior e deixaram australianos, havaianos e americanos cheios de dor de cotovelo e encheram de aéreos e manobras ao estilo Modern Collective os olhos dos juízes e de quem mais estivesse lá para ver.

Os gringos estavam completos, a Austrália veio com Owen Wright, carrasco do Slater duas vezes ano passado e novo queridinho da mídia internacional; o Havaí com Clay Marzo, que manda muito mas em campeonatos ainda faz pouco; e o os Estados Unidos… Bom eles estavam presentes na competição; e viram nas quartas de final todas as suas esperanças irem por água abaixo com as vitórias de Alejo Muniz, Jadson e Gabriel Medina.

Alejo Muniz rasgando forte

A final, infelizmente não foi só verde e amarela e, mais infelizmente ainda, quem ganhou foi o francês Maxime Huscenot, mas mesmo assim Jadson André, que foi o vice, pode ficar feliz porque tem a chance de mostrar a que veio no World Tour deste ano que começa no final de fevereiro.

Jadson André decolando

Quem terminou em primeiro foi Maxime, em segundo o Jadson, mas quem deu o que falar de novo foi Gabriel Medina.O prodígio de Maresias teve a maior média do campeonato, 19.57 dos 20 pontos possíveis, tirou o único 10 da competição e arrancou elogios de figurões da mídia internacional, como Jed Smith da STAB e Nick Carrol da ASL. Temos que cuidar bem deste moleque que vai longe.

Medina fazendo o que faz de melhor